O que o VAR do futebol nos diz sobre a IA

Cabine do VAR (assistente de vídeo).

por Brian Merchant

Eu exagerei nos jogos da Copa Mundo masculina deste ano. Foi sensacional. Estava em Paris, onde o torneio tomou conta de tudo: dos bares às brasseries, passando pelos celulares das pessoas no metrô. À noite, dava para ouvir gritos de comemoração vindos de quarteirões de distância, não importava onde você estivesse — pela França sempre que ela jogava, claro, mas também pela Argentina e por Messi ou por qualquer golaço. Também dava para ouvir muitas vaias (o jogo da França contra o Paraguai nas oitavas de final foi rico nesse quesito) e boa parte dessas vaias, hoje, é direcionada ao VAR, o assistente de vídeo.

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[Revista] Time começou a servir anúncios a agentes de IA 
digiday.com

Em outras palavras, os anúncios dão a marcas como a Ally e o Project Management Institute mais uma alavanca para influenciar sua presença nas buscas por IA generativa. Os LLMs podem captar as informações da marca a partir do anúncio e indexá-las, o que pode moldar as respostas geradas por IA, que por sua vez podem influenciar as pessoas que usam esses mecanismos de resposta baseados em IA.

Talvez a minha ideia de “envenenar” IAs com um texto oculto por esteganografia não seja tão maluca assim.

Uso legal do ChatGPT Work que ouvi ontem à noite: Conecte as agendas da sua família e explique o que seus filhos gostam. Toda manhã ao levá-los à escola, faça-o [ChatGPT] criar um podcast que aborde o jogo de futebol de um filho naquela tarde, o próximo aniversário de outro, algumas notícias etc.

Homem branco, com cabelo escuro e curto, com olheiras.Sam Altman
Co-fundador e CEO da OpenAI

Esta vai para o rol das grandes ideias dos caras de IA. Como alguém respondeu no X, “E se você apenas conversasse com seus filhos?”

O melhor do Manual em julho: 1) A recusa que virou vitrine, da Cíntia Vitorino, cheio de elogios nos comentários; 2) Boox Go 10.3 (gen II) Lumi, minhas primeiras impressões do tablet Android com tela E-Ink; 3) Por que o WhatsApp consome tanta bateria do celular?, uma ~investigação que logo, logo terá atualizações; 4) Publicidade dos óculos da Meta vandalizada em Londres (talvez “vandalizada” não tenha sido o termo correto); e 5) Aqui não tem propaganda de bets. Quer mais? Todos os posts do mês.

Google desmantela o AlphaFold e lá se vai a IA que curaria o câncer

por David Gerard

O AlphaFold era um sistema de aprendizado de máquina do Google DeepMind. Ele fazia a predição da estrutura de proteínas.

Ele era razoavelmente bom em prever estruturas de proteínas. Chamou atenção do público por se sair muito bem nos benchmarks do Critical Assessment of Structure Prediction (CASP).

O AlphaFold fez alguns trabalhos úteis, principalmente como um extra para ajudar biólogos a prever uma estrutura em que estavam trabalhando. Muitos biólogos não achavam ele grande coisa. Alguns, achavam. E tudo bem.

Estou dizendo “era” e “fazia” porque o Google encerrou o AlphaFold.

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Links legais da semana

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

Onde está a Tamara?. “Diário de bordo” virtual, com rastreamento em tempo real, da atual viagem da Tamara Klink. Dica do Digão no Órbita.

Dustin Mierau. Mais um daqueles sites pessoais que se apresentam como a área de trabalho de um computador. Eu nunca me canso desses!

The Closet. O famoso closet da Criterion em uma versão virtual interativa, com 1.327 obras do catálogo da famosa distribuidora de filmes estadunidense. (A referência para quem não conhece.)

The AI Compass. Um questionário (em inglês) similar a um famoso na psicologia que te posiciona na “bússola” da IA. São 30 arquétipos possíveis, do ludita ao profeta.

Programação musical da Rádio Senado. Dá para fazer um bom garimpo de músicas brasileiras. (A última atualização é de 22/7; será que já pararam de atualizar?)

Acervo de efeitos sonoros da BBC. Milhares de efeitos sonoros categorizados, gratuitos para uso pessoal e não comercial. Dica do Lucas no Órbita.

Jelly UI. Uma biblioteca para deixar elementos de interface em páginas web com uma consistência gelatinosa. A página tem vários exemplos interativos para ver como funciona na prática.

Se você tentou migrar sua conta do antigo Órbita para o novo, redefinir sua senha ou criar uma nova conta, peço que tente outra vez. Detectamos um erro no código que acabamos de corrigir em produção. Se ainda assim enfrentar dificuldades, comente aí embaixo ou mande um e-mail, por favor.

Não curto muito a tendência dos selos “feito por humano”

Há dois anos, repercuti um daqueles selos “feito por humanos” usados para sinalizar conteúdo livre de IA. Desde então, esses selos se proliferaram em cantos virtuais hostis à IA generativa.

Em um texto meio viral na indie web, Case Duckworth lista alguns motivos para rejeitá-los (em inglês). A crítica dele não é aos selos em si, mas a iniciativas que centralizam esse tipo de sinalização. A opinião aparece condensada neste parágrafo (tradução livre):

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A recusa que virou vitrine

Ilustração de camisas de times coloridas estendidas em um varal.

por Cíntia Vitorino

Em algum momento entre 2023 e 2024, ficou comum ver alguém saindo para um bar, uma festa ou um show usando a camisa de um time de futebol que nem existe mais. Não é fantasia, não é dia de jogo, não tem ninguém torcendo. Antes, vestir a camisa de um time era gesto de torcida, reservado para o dia da partida. Hoje ela circula solta desse contexto, usada num bar, numa festa ou num show sem relação nenhuma com o time em campo. A camisa deixou de ser símbolo de torcida e passou a ser peça de moda, equivalente a uma jaqueta ou uma calça de alfaiataria.

Um vídeo específico marcou essa virada nas redes, sem tê-la criado sozinho. Uma jovem no TikTok filmou o próprio look, todo produzido, ao lado do namorado de camisa de futebol, e comentou o contraste como se fosse motivo de vergonha para ele. O vídeo não inaugurou a tendência, mas expôs ela em plena disputa: viralizou na direção contrária à que a autora esperava, e homens e mulheres passaram a postar fotos com blusas de time, afirmando o objeto como peça de estilo. O episódio ajudou a consolidar publicamente algo que já vinha se formando nas ruas e nas redes havia meses, batizado de blokecore, estilo nascido no Reino Unido que mistura roupa esportiva com streetwear.

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